Aposentadoria: Uma questão familiar

Tânia Lopes Santiago

          Após tantos anos de trabalho numa rotina diária intensa, o primeiro pensamento que vem na nossa mente é: “Não vejo a hora de me aposentar e poder descansar!” aí começa uma sequência de procedimentos para que o tão esperado “descanso” chegue logo.

        Existe uma diferença entre as expectativas do homem e da mulher em relação a esta nova fase de vida. É muito comum a mulher quando se aposenta, continuar com uma rotina intensa pois as tarefas de dona de casa, mãe, avó, entre tantas outras não remuneradas, mas relacionadas ao seu dia a dia não dão chance de “descanso”.

        A divisão do trabalho ou de papéis masculinos e femininos fazem com que o homem seja visto como provedor; e no decorrer de sua carreira profissional toda a sua atenção e sentimento de “produtividade” e “utilidade” está relacionado diretamente ao trabalho (atividade remunerada).

        Normalmente durante as férias trabalhistas os homens separam tempo para manutenção da casa (reformas e pinturas). É realmente muito difícil observarmos homens aproveitando suas férias para fazer uma comida diferente, fazer faxina na casa com sua esposa, levar os filhos para médicos ou para cortar os cabelos. Muitas vezes não é por má vontade do marido, é que quando o assunto é “divisão de papéis”, muitas esposas assumem que a casa e os filhos são de suas responsabilidades e os maridos “não sabem cuidar direito”.

        Com o passar dos anos e com estas “atribuições” muito bem definidas, as férias do marido passa a ser um verdadeiro tormento para todos da família, pois este “personagem” não faz parte do “cenário doméstico”; enquanto ele se sente um “peixe fora d'água” ela se sente ameaçada pela presença de alguém que não vai ter o que fazer dentro de casa e ficará “implicando” com tudo e com todos. Ele vai ficar sem nada para fazer ou ela não vai deixar que ele invada seu território? Pronto. A situação da “aposentadoria-problema” já está a caminho.

        O período que antecede a aposentadoria deve ser de planejamento familiar e não individual. Uma boa estratégia é a de começar ainda hoje o planejamento das férias, feriados e finais de semana. É necessário construir momentos agradáveis que se tornarão em lembranças inesquecíveis na memória dos filhos. Este planejamento não pode ser feito somente de eventos como viagens e passeios, mas de atividades cotidianas como arrumar uma caixa de remédios juntos, uma gaveta ou um cômodo. Isto é vida e acompanha a vida. Que tal organizar um mutirão de limpeza em família para o próximo feriado? Muitas famílias estão endividadas e reféns de bancos e financiadoras porque só conseguem se divertir em família se saírem do entediante ambiente chamado “casa”.

        Mas o que tudo isso tem a ver com aposentadoria? Bom, se você sentir prazer em desenvolver projetos e atividades em seu período de folga, a probabilidade de sofrimento familiar ou crise conjugal “pós-aposentadoria” vai diminuir bastante. Assim, vai existir um projeto não individual mas familiar para esta fase da vida tão especial onde você poderá colher os frutos do seu trabalho e investimento de tantos anos, e sentindo-se uma pessoa autorizada a descansar de uma função e continuar a exercer a outra como integrante de um projeto muito especial: “a sua família”.

formatação para inclusão em referências bibliográficas

Santiago, Tânia Lopes. Aposentadoria: Uma questão familiar. Em: <http://qualidadevida.psc.br/artigos/12>. Acesso em: 14/12/2017.