Bebidas e adolescentes

Graziela Baron Vanni

     Quais são as conseqüências das bebidas nas baladas?

  Cada vez mais a modernidade invade nossa sociedade. Com isso, muitos conceitos estão sendo alterados, nem sempre para melhor. Os responsáveis? A mídia, internet, TV, globalização,valores distorcidos de educação, excesso de competitividade, dentre outros fatores que por sua vez influenciam o comportamento de crianças e adolescentes levando-os ao consumismo e aos pseudo valores da vida.

  A adolescência é marcada por mudanças rápidas no físico, no psicológico e no social, que resultam em uma crise de identidade. Num momento de conquista da auto-suficiência, para gerenciar sua própria vida recriando conceitos e valores que muitas vezes chocam-se com os dos pais.

  Características como, impulsividade, ampliação de liberdade, busca de novas emoções e desafios ou até mesmo busca de “respostas” para seu viver, são encontradas na adolescência.

  Ao somarmos esse momento critico que é natural na fase da adolescência, com os riscos que a sociedade oferecem aos indivíduos resultamos em problemas atuais: DROGAS E BEBIDAS.

  No que se refere ao álcool, a questão também é ainda mais grave, principalmente  porque está tão próximo e tão acessível, deixando a impressão de que não causa mal algum.

  O álcool está inserido em nossa cultura, presente nos lazeres e encontros adolescentes, assim como dentro de casa. Desse modo, consumir álcool pode parecer normal, sem muita censura ou orientação por parte dos pais.

  Segundo uma pesquisa realizada pela UNESCO, os estudantes começam a beber para satisfazer a curiosidade, o desejo de inserção social, esquecer os problemas e para ter coragem nas ‘paqueras’.

  Outro dado recente de pesquisas mostra o aumento de consumo entre as garotas. Essa mudança de comportamento vem ocorrendo pelo fato das mesmas terem mais liberdade para freqüentar locais e eventos onde se consomem bebidas alcoólicas, o que antes era mais restrito a adolescentes do sexo masculino.

  Independentemente do sexo, o excesso de consumo pode trazer algumas conseqüências, por exemplo, no momento em que o adolescente estiver construindo sua identidade, pode perceber que o álcool ameniza os momentos angustiantes, dando a impressão que as “coisas ficaram mais fáceis”. Este fato pode reforçar o consumo implicando em um sentido de vida fragilizada. Assim a bebida acaba por se tornar um ingrediente indispensável na elaboração da crise.

  Também encontramos outras conseqüências como: falta de concentração, aumento de peso, dores de cabeça, irritabilidade... O álcool não elabora de maneira funcional os problemas que encontramos nessa fase, são eles: timidez, baixa auto-estima, tristeza, insegurança, complexo de inferioridade, entre outros.

  No momento em que o adolescente ou responsável perceber o uso do álcool de maneira excessiva e/ou como fuga, seria interessante procurar ajuda de um profissional adequado, para elaborar de maneira sadia e tranqüila as etapas dessa fase.


Graziela B. Vanni de Moraes

Diretora da Clinica Qualidade de Vida

Psicóloga cognitivista comportamental CRP 06/68515

formatação para inclusão em referências bibliográficas

Vanni, Graziela Baron . Bebidas e adolescentes. Em: <http://qualidadevida.psc.br/artigos/13>. Acesso em: 14/12/2017.