Tratamento cognitivo-comportamental para dependência química

Delmiro Da Mata

       Todo mundo conhece ou já ouviu falar de alguém que esteve internado em alguma clínica para tratamento de dependência química e após sair da clínica voltou a recair e usar drogas novamente. Em muitos casos isso acontece após vários meses e até anos de internação, levando o paciente e a família a experimentar novamente a sensação de fracasso e desesperança perante um problema tão complicado.

        Nesse momento, o paciente e toda a família se questionam: O que deu errado? Onde foi que falhamos? Surgem várias opiniões e teorias. Alguns vão afirmar que foi por falta de vontade e determinação por parte do paciente, outros vão dizer que a culpa foi da família que não acolheu devidamente, outros ainda vão colocar a culpa nos amigos que são vistos como más companhias.

        A verdade é que normalmente quando o paciente recai não existe somente um motivo, mas sim um conjunto deles, que em alguns casos formam uma sequência de eventos que o levam a usar drogas novamente. Outro fator importante a se considerar é que normalmente a pessoa é submetida à internação, seja voluntaria ou involuntariamente, permanece em internação por vários meses, se desintoxica e fica aparentemente bem, porém, ao sair da clínica, na maioria das vezes retorna para o mesmo meio social de sempre, que em alguns casos foi o propulsor dos seus problemas: o mesmo emprego, a mesma família, os mesmos amigos, os mesmos dilemas e o mais grave, com as mesmas estratégias mentais inassertivas de enfrentamento dos problemas.

        Quando se trata do problema de dependência de drogas, seja cocaína, maconha, craque, álcool, cigarro ou qualquer outra substância que cause dependência química, não existe somente uma via de cura, tanto que quando analisamos as histórias das pessoas que conseguiram vencer esse problema concluímos que cada uma teve a sua motivação, às vezes, muito peculiar, que a levou a conseguir viver sem drogas. Porém, percebe-se também que em quase todos os casos de superação desse problema existe uma característica presente em comum, que ou já existia e estava de certa forma adormecida ou foi desenvolvida durante o processo: a capacidade de reflexão e reestruturação da forma de encarar os desafios e solucioná-los.  

        É aí que entra o programa de tratamento psicológico cognitivo-comportamental específico para dependência química. Esse programa de acompanhamento e tratamento é indicado tanto para os pacientes que tiveram alta da internação quando para aqueles que nunca estiveram internados. Nesse caso, desde que após a avaliação seja constatado que o mesmo já se encontra no “estágio de ação”, ou seja, preparado para iniciar o tratamento. Caso contrário, deverá passar por algumas sessões de psicoterapia até estar preparado para iniciar o programa de tratamento.

        O programa tem como principal objetivo o tratamento em dependência química, através da psicoterapia cognitivo comportamental com enfoque em reestruturação cognitiva e mudança de hábitos, permitindo o fortalecimento do paciente e sua preparação para lidar com seus problemas de modo assertivo. Essa mudança de hábito de dependência das drogas por outro que represente um estilo de vida novo implica que tanto o dependente quanto a sua família participem de maneira ativa nesse programa de tratamento, que possibilitará ao paciente experimentar a abstinência total de drogas e a modificação do estilo de vida, aprendendo a enfrentar problemas e dificuldades de forma a lhe permitir dar uma saída pessoal positiva a sua experiência com a droga.

 

Delmiro da Mata

Psicólogo

CRP 100610

delmata50@hotmail.com

formatação para inclusão em referências bibliográficas

Da Mata, Delmiro. Tratamento cognitivo-comportamental para dependência química. Em: <http://qualidadevida.psc.br/artigos/14>. Acesso em: 14/12/2017.