Depressão Infantil

Heloisa Stoppa Menezes Robles

      A infância geralmente é caracterizada por um período de descobertas, de fantasias e de muita alegria! Entretanto, por que muitas crianças parecem não fazer parte deste mundo mágico e deslumbrante? São crianças que estão sempre desanimadas, possuem aparência triste, choram com facilidade, apresentam um quadro de ansiedade entre outras características... Estas crianças sofrem do que chamamos de depressão infantil.

      Tais manifestações, antigamente observadas apenas em adultos, hoje podem acometer crianças na mais tenra idade; já se discute o fato da depressão ser um dos problemas emocionais mais freqüentes da infância e da adolescência.

      Alguns estudiosos apontam que a depressão pode até mesmo aparecer em crianças pequenas, antes dos 6 anos de idade; geralmente, isso ocorre quando há negligência física ou emocional por parte de seus cuidadores e os sintomas mais comuns envolvem: dificuldades alimentares, déficits no desenvolvimento, dificuldades no sono e ansiedade associada à separação do adulto. Nestes casos, o diagnóstico geralmente é mais difícil de ser realizado uma vez que a criança ainda não verbaliza os seus sentimentos.

      Após os seis anos de idade a depressão também pode ocorrer em algumas crianças, mas que, diferentemente do que acontece às menores, elas já conseguem expressar seus sentimentos; aquelas que ainda não têm esta habilidade, acabam demonstrando-os através de comportamentos que indicam tristeza e infelicidade, apatia, baixa auto-estima, negativismo, pessimismo, desprazer em atividades geralmente consideradas prazerosas (como brincar, passear...) e frequentemente ficam muito apegadas aos adultos, uma vez que tendem a ser rejeitadas pelos colegas. Como os adultos muitas vezes não conseguem identificar o problema a tempo, a criança torna-se ainda mais depressiva.

      Do ponto de vista psicológico, crianças com depressão interpretam a realidade de forma distorcida, geralmente de forma negativa, dificultando os relacionamentos sociais e o desenvolvimento acadêmico.

      É possível evitar a ocorrência da depressão infantil? Sim, algumas dicas para os pais e pessoas próximas da criança são: ficar atento para possíveis fatores de risco como perda de pessoas queridas oferecendo o suporte necessário para a criança enlutada, desenvolver vínculos afetivos fortes com a criança procurando auxilia-la em suas dificuldades e criar oportunidades para que ela desenvolva vínculos sociais com outras crianças.

      É importante ressaltar que nenhum sintoma isolado indica o diagnóstico de depressão, embora os pais ou os responsáveis pela criança devem estar atentos a problemas simples, mas que podem indicar algum tipo de patologia, tais como: falta ou excesso de apetite, excesso de dores, insônia ou excesso de sono, irritação, perda do prazer por atividades prazerosas, pensamentos mórbidos, fadiga, sentimento de inutilidade e queixas somáticas.

      Sintomas como estes citados merecem atenção e, qualquer dúvida que possa atingir os pais ou responsáveis, deve ser sanada a partir de uma orientação com um profissional, de forma a evitar a ocorrência da depressão ou pelo menos minimizar a sua manifestação e suas conseqüências.

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Robles, Heloisa Stoppa Menezes . Depressão Infantil. Em: <http://qualidadevida.psc.br/artigos/15>. Acesso em: 14/12/2017.